Fuga, afeto e autonomia – sobre “O mapa em que estão meus pés”
Por Thyago Mumu
Como não adjetivar um filme que nos tira do eixo, derruba lágrimas, sem apelar pra isso? Integrante da Mostra Brasil 1 – Álbuns Incandescentes, “O mapa em que estão meus pés”, de Luciano Pedro Jr., já me derrubou na tentativa de equilibrar racionalmente minhas impressões sobre os filmes.
O diretor alagoano transforma o sumiço real de seu bisavô de 84 anos em uma poesia cinematográfica, ficcionaliza os dias sumidos em uma espécie de declaração de amor à sua recém-finada esposa e a sua terra natal.
A escolha do Super-8 com sua granulação e nostalgia faz todo sentido no curta que articula essa admiração por um tempo que passou, o grão da película fala tanto como o texto narrado.
O luto aqui parece se transformar em combustível para uma última aventura de um apaixonado senhor de 84 anos. As paisagens do interior de Alagoas dão um tom sensível para essa ilógica aventura de enterrar um coração.
O mapa de uma vida é feito de estradas, lugares e pessoas que decidimos guardar dentro do peito. O filme ainda nos provoca sobre o direito de se “fugir” do mundo para negociar os próprios termos com o passado.