Imagens, ritmos e sons – sobre “From something to nothing”
Por Yas Souza
Cinema, para mim, é antes de tudo sobre a invenção e a experimentação de uma linguagem. Não há nada que me interesse mais em um filme do que a sua forma: a maneira como se escolhe contar algo, e quais imagens, ritmos e sons comunicam os sentimentos e sensações que se quer transmitir. Considero que é isso que dá sentido ao ato tão trabalhoso de fazer cinema, e não qualquer outra coisa que pudesse resumir uma ideia de maneira mais simples.
A pesquisa pela forma, embora esteja e deva estar em todo o cinema, possui um mergulho mais fundo quando se trata de filmes experimentais. É por isso que a Mostra Limite me apaixona. Ao mesmo tempo, é mais difícil falar sobre obras que trazem tantas informações sensoriais, muitas delas abstratas, mas irei tentar dizer algo sobre o austríaco “From something to nothing”.
O filme transforma a textura estática das árvores em um fluxo contínuo de imagens, criando a impressão de uma pele orgânica em movimento. Através de uma animação em stop-motion acelerada e sem diálogos, constrói-se uma transição gradual que vai das superfícies vivas da vegetação até padrões geométricos, terminando no cinza do concreto e do asfalto. A força da obra está na junção de seu sentido político e ambiental com um visual e uma sonoridade hipnotizantes, que nos fazem refletir sobre toda essa natureza deixando de existir.