O cinema e o ambiente como espaço ativo de memória sobre Video Connection, de Sérgio Rizzo
por Isadora Quaglia
Em uma das cenas iniciais de “Video Connection” escutamos uma criança encantada com uma ilustração de um filme de terror “Ei mamãe, olha o filme de terror!” A voz infantil e a resposta da mãe são transpostas pela imagem de alguns pôsteres de filmes pendurados. Essa rápida troca é apenas uma das primeiras reações de deslumbre registradas no curta-metragem e sintetiza bem qual será uma das principais mensagens do documentário. Durante uma sequência de 15 minutos de planos estáticos somos apresentados a todo o espaço da Video Connection, uma tradicional videolocadora localizada no Edifício Copan, emblemático prédio no centro de São Paulo, e uma das poucas que ainda resiste à passagem do tempo.
Os planos que mostram desde as prateleiras recheadas com variados tipos de mídia física até os cantos mais inacessíveis da loja, inserem o telespectador dentro do cotidiano daquele local. É com esse retrato que o curta desperta a complexidade e o conforto do sentimento de nostalgia, mas em conjunto com a sobriedade de que agora os tempos são outros, e o que antes era um comércio comum e rotineiro na vida do brasileiro transformou-se em raridade.
Com uma rica pauta em mãos, o diretor Sérgio Rizzo não se prende em apenas registrar a excentricidade de uma locadora ainda aberta nos dias atuais, mas também aproveita da movimentação dentro e fora dela para apresentar um estudo sobre memória e como o audiovisual carrega o poder de sensibilizar o indivíduo. Ao longo de todo o curta, diferentes reações de curiosidade e encanto diante do espaço são destacadas, além de diálogos entre o dono da locadora, Paulo, e seus clientes.
São as histórias contadas nos filmes alugados pelo público que constroem uma coletividade entre eles e o principal funcionário do estabelecimento. Video Connection é um passeio pelos sentimentos e marcas causadas pelo cinema, é uma reafirmação da potência da arte como objeto de afeto e fascínio, mesmo quando estes ocorrem de forma não intencional.