Simone – sobre “Calcário”

por Clarisse Kubrusly

Road movie de caminhoneira realizado no oeste paulista, o filme “Calcário” (2026), de Beatriz Ribeiro, compõe a Mostra Brasil 11.

O documentário nos permite acompanhar Simone com um deslumbrante visual de estrada desde Assis até o Goiás. Temos, como espectadoras, uma experiência de viagem em que o filme nos dá a ilusão de percorrer todas as etapas de uma etnografia visual. Acompanhamos conversas alternadas com silêncios longos, que parecem ter durado dias de viagem em apenas 15 min.

Entramos na cabine de Simone que, embora tenha paixão pela estrada, ama seus filhos e lamenta estar tanto tempo ausente, dirigindo e levando carga a serviço do agronegócio — em condições não tão boas, como podemos perceber no filme. Ao conhecer um pouco dessa motorista, podemos quebrar estereótipos e criar imaginários de caminhoneiras possíveis.

Sim, existem caminhoneiras que trabalham para sustentar seus filhos, muitas vezes sem pai.

Sim, existem muitas jovens cineastas no interior de São Paulo, pois a equipe é composta por uma maioria de mulheres que acompanham Simone dentro do seu caminhão. Vemos a motorista em ação no seu ofício específico e fortemente associado ao universo masculino. Em boa medida, também vemos as cineastas em ação, apresentando os desejos e medos de Simone através da rotina da caminhoneira: telefonemas, cuidados pessoais, paradas e entrega da mercadoria. Algo cotidiano para elas e inusitado para o público: uma caminhoneira mãe e um belo road movie de jovens cineastas paulistas.

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