Diretoras mulheres e suas histórias de meninas sobre  Minha mãe é uma vaca e Akababuru: Expressão de Espanto

por Tainá Bezerril

Em parceria com o Sesc Digital, o 36º Kinoforum selecionou 11 filmes para estarem disponíveis na plataforma, com produções das mostras nacionais e internacionais, facilitando dessa forma o acesso daqueles que não podem estar presencialmente no festival. Neste formato digital, é possível fazer conexões entre aqueles que nas mostras não estariam tão próximos, e é assim que Minha mãe é uma vaca (2024), de Moara Passoni e Akababuru: Expressão de Espanto (2025) de Irati Dojura, se ligam lindamente. 

Crescer não é fácil, muitos sentimentos são descobertos durante esse processo, mas por outro lado, aprendemos a lidar e a enfrentar cada um deles aos poucos. Com essa premissa, Moara Passoni, diretora brasileira, e Irati Dojura, diretora colombiana e indígena, voltam seus olhares para a infância e a pré-adolescência de meninas para contarem suas histórias. Nelas as protagonistas enfrentam situações que as perturbam, encarando de frente essas questões, com muita coragem, porém de formas opostas. 

Em Minha mãe é uma vaca (2024), acompanhamos Mia, uma menina de 12 anos que está passando um tempo com sua tia, e morando temporariamente em uma fazenda na orla do Pantanal. Apesar dos numerosos passatempos e pessoas ao seu redor, ela não consegue se distrair, pois algo a atormenta: sua mãe, que pode estar em apuros, pedindo durante todo o filme que Deus a proteja. Todavia, Mia acaba criando uma conexão inesperada com uma vaca, passando por um momento de fortes emoções juntas.

O curta, traz uma atmosfera tensa, fazendo nós os espectadores sentirem a ansiedade de Mia em relação a incerteza da sua mãe. Além disso, o filme tem um belíssimo ambiente cenográfico, aproveitando os elementos externos da fazenda como: rios, cercados, árvores, e entre outros, acompanhados de uma fotografia sofisticada que sabe trabalhar com a sombra e a temperatura das cores em favor da narrativa, criando um clima tenso e fantástico, com seu ápice na cena final. 

Já em Akababuru: Expressão de Espanto (2025), Kari uma menina da etnia Emberá Chamí, após um momento de medo se esbarra com Kera, que lhe conta uma nova versão da lenda de Kiraparamia, na interpretação original, a mulher foi punida pelos deuses por rir de seu marido, porém na sua versão, seu riso a libertou. 

O curta indígena e colombiano, se destaca primeiramente pela linguagem: ele é todo falado na língua ameríndia Chamí. Acrescido do resgate das lendas, representa e apresenta aos espectadores a importância da preservação da memória de um povo. Outro ponto alto, é a animação em stop motion, em tempos em que cada vez mais largamos meios de construções manuais e migramos para o digital, essa técnica tem sido uma preciosidade cinematográfica, e, junto aos materiais usados, como papel e miçangas, fazem tudo ficar mais bonito e especial. 

Ambos são filmes potentes, tratam do sentimento de meninas de forma sensível e empática, sem julgamentos ou imposições, e encorajam toda mulher ou menina a enfrentar seus problemas de frente, gritando ou rindo. 

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